Muitas pessoas aprendem a conviver com o nariz entupido, a respiração pela boca e a sensação constante de pressão no rosto. É comum ouvir frases como “minha rinite é assim mesmo” ou “sempre tive sinusite”.
Mas quando os sintomas persistem por mais de 12 semanas, mesmo com tratamento, pode se tratar de sinusite crônica (também chamada de rinossinusite crônica) — uma condição que vai além de um simples resfriado prolongado e exige atenção especializada.
O que é sinusite crônica?
É a inflamação persistente da mucosa que reveste os seios da face (cavidades ao redor do nariz). Diferente da sinusite aguda — que dura até 4 semanas e geralmente está associada a infecções virais ou bacterianas —, a forma crônica se estende por mais de 3 meses e pode ter causas variadas, desde alergias não controladas até alterações anatômicas.
Principais sintomas da sinusite crônica:
Para ser considerada crônica, a condição geralmente apresenta pelo menos dois dos seguintes sintomas de forma persistente:
- Obstrução nasal constante (dificuldade para respirar pelo nariz)
- Secreção nasal espessa (amarelada, esverdeada ou com crostas)
- Dor, pressão ou sensação de peso na face (testa, bochechas, entre os olhos)
- Redução ou perda do olfato (hiposmia ou anosmia)
Outros sinais comuns incluem:
- Mau hálito
- Tosse seca (pior à noite)
- Cansaço e fadiga
- Dor de ouvido ou sensação de ouvido tampado
- Dor de dente na arcada superior
Quais são as causas?
A sinusite crônica raramente tem uma única causa. Os fatores mais comuns incluem:
- Pólipos nasais: crescimentos benignos que bloqueiam a drenagem dos seios da face
- Desvio de septo ou outras alterações anatômicas
- Rinite alérgica não controlada
- Infecções bacterianas ou fúngicas recorrentes
- Asma (a associação entre asma e sinusite é muito comum)
- Exposição a irritantes (poluição, fumaça, produtos químicos)
- Problemas no sistema imunológico
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico e feito por um otorrinolaringologista, que pode solicitar:
- Endoscopia nasal: exame que permite visualizar o interior do nariz e identificar pólipos, secreção ou desvios
- Tomografia computadorizada dos seios da face: avalia a extensão da inflamação e a anatomia
- Testes de alergia: quando há suspeita de componente alérgico
- Cultura de secreção: em casos de infecção bacteriana suspeita
Existe tratamento?
Sim! O objetivo é controlar a inflamação, melhorar a drenagem e tratar a causa de base. As opções incluem:
1. Tratamento clínico (primeira linha):
- Corticoides nasais (sprays) para reduzir a inflamação
- Lavagem nasal com soro fisiológico (essencial e diária)
- Antibióticos (apenas se houver infecção bacteriana confirmada)
- Antialérgicos (quando há componente alérgico)
2. Tratamento cirúrgico (quando necessário):
Indicado quando o tratamento clínico não funciona após 3 meses ou quando há obstrução anatômica importante. A cirurgia endoscópica remove pólipos, corrige desvios e amplia os canais de drenagem.
⚠️ Atenção: Descongestionantes nasais (aqueles “gotinhas” que desentupem na hora) não devem ser usados por mais de 3 dias, pois causam efeito rebote e pioram o quadro a longo prazo (rinite medicamentosa).
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